Enxaqueca aumenta risco de AVC?
Enxaqueca e AVC
9/12/20252 min read


No Congresso Mundial de AVC de 2024, apresentei uma palestra em sessão plenária abordando o tratamento da enxaqueca em pacientes que tiveram AVC. Aqui, compartilho algumas informações importantes sobre a relação entre essas duas condições.
Enxaqueca e AVC: Entendendo a Relação e os Cuidados Necessários
A enxaqueca é uma das dores de cabeça mais comuns e que pode afetar a qualidade de vida de muitas pessoas. Ela não é apenas uma dor forte, mas também pode vir acompanhada de sintomas como alterações visuais, sensibilidade à luz e ao som, além de crises recorrentes que podem durar horas ou até dias.
Nos últimos anos, estudos mostraram que quem sofre de enxaqueca, especialmente quando ela vem acompanhada de aura (os sintomas visuais ou sensoriais que antecedem a dor), pode ter um risco maior de desenvolver um tipo de AVC — chamado de AVC isquêmico. Isso significa que é importante entender essa relação para cuidar melhor da saúde.
Quais fatores aumentam o risco?
Enxaqueca com aura
Crises frequentes de enxaqueca
Uso de cigarro
Uso de contraceptivos que contêm estrogênio
O que acontece no cérebro durante uma crise?
Durante uma crise de enxaqueca, há uma alteração na atividade elétrica do cérebro, que pode estar ligada a alterações nos vasos sanguíneos da cabeça. Pesquisas apontam que, às vezes, uma artéria chamada artéria meníngea média pode ficar mais dilatada do lado onde a dor ocorre durante a crise.
E os medicamentos?
Para acabar com a crise de dor, usamos medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios e triptanos. Eles ajudam a aliviar a dor e atuam na vasoconstrição — ou seja, no estreitamento dos vasos sanguíneos. Isso levanta a dúvida: essa vasoconstrição pode aumentar o risco de AVC?
A boa notícia é que, na maioria dos casos, não. A maioria dos AVCs não está relacionada à vasoconstrição. Apenas dois tipos específicos de AVC estão ligados a esse fenômeno: a síndrome de vasoconstrição cerebral reversível (RCVS) e a hemorragia subaracnóidea, que é uma hemorragia na membrana que envolve o cérebro. Porém, em quem já teve AVC ou infarto costumamos evitar esta medicação.
E os tratamentos para prevenir a enxaqueca e o AVC?
Alguns medicamentos usados na prevenção da enxaqueca também ajudam na proteção contra o AVC, especialmente aqueles que controlam a pressão arterial — como beta-bloqueadores e bloqueadores do receptor de angiotensina (candesartana).
Para quem já tem problemas de epilepsia e AVC, medicamentos como valproato e topiramato podem ser indicados, embora seja preciso ficar atento aos efeitos na memória e na concentração.
Novos tratamentos: os antagonistas do CGRP
Recentemente, surgiram medicamentos chamados antagonistas do CGRP, que ajudam a prevenir as crises de enxaqueca e são geralmente muito seguros. Contudo, ainda há dúvidas se eles podem influenciar o fluxo sanguíneo cerebral de uma forma que possa ser perigosa para quem já teve AVC, pois esses medicamentos podem diminuir a vasodilatação — a capacidade de os vasos se abrir e passar mais sangue.
A orientação final: cuidado e acompanhamento
Se você sofre de enxaqueca frequente, é importante procurar acompanhamento médico. Conhecer seus fatores de risco, usar os medicamentos corretos e manter um estilo de vida saudável são passos essenciais para cuidar da sua saúde cerebral e reduzir chances de complicações. Em quem já teve AVC o cuidado deve ser ainda maior para uma prevenção de enxaqueca e complicações cerebrovasculares.
Se precisar de orientação personalizada ou tem dúvidas, estamos aqui para ajudar!
